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Drogas orais ganham destaque entre as novidades no tratamento para câncer de mama

Especialistas apresentam casos clínicos e debatem a situação atual da doença no Brasil

Em visita recente ao Brasil para o VI Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia, a diretora do Departamento de Medicina do Instituto Jules Bordet, na Bélgica, Martine Piccart, uma das maiores autoridades do mundo em câncer de mama, comentou casos clínicos de pacientes brasileiras com a doença. Os mesmos foram apresentados pelos respeitados médicos Sérgio Simon, professor de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e Francisco Marziona, diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Pérola Byington e membro do Instituto Paulista de Cancerologia.

As pacientes analisadas eram portadoras do câncer de mama HER2+ — considerado o tipo mais agressivo da doença e que está intimamente associado às metástases e, consequentemente, a taxas reduzidas de sobrevida. Os casos apresentaram uma boa resposta clínica após tratamento com lapatinibe e capecitabina, mesmo após diversos esquemas de quimioterapias paliativas prévios. Entre as conclusões, relatou-se que a associação do lapatinibe e da capecitabina após tratamento prévio com trastuzumabe vem garantindo bons resultados a pacientes com câncer de mama metastático.

Segundo o oncologista Francisco Marziona, hoje é primordial que se trate o câncer de mama de forma mais individualizada. “O exame imuno-histoquímico, realizado a partir da biópsia ou do tumor já retirado, apresenta as características deste tumor. Entre eles, cerca de 25% são HER2+”, explicou. Para ele, é preciso, no mínimo, diferenciar as pacientes entre HER2+, triplo-negativos e hormonais positivos, para que se possa tratar adequadamente o paciente.

Drogas orais

A importância das drogas orais, como o lapatinibe, no tratamento para câncer de mama tem sido fortemente reforçada pelos principais especialistas do Brasil e do mundo. “Elas são importantes pela comodidade oferecida à paciente, além de apresentarem menos efeitos colaterais. O inconveniente é que no Brasil os convênios ainda se mostram resistentes a arcar com os custos destas drogas. É uma pena porque é possível avaliar o quanto elas melhoram a qualidade de vida destas pessoas”, disse Marziona.

O professor Antônio Buzaid, do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, também ressaltou a importância das drogas orais no tratamento do câncer. “Alguns seguros entendem que isso é um problema da lei brasileira, de não cobrir o medicamento oral e, em geral, disponibilizam o medicamento ao paciente. Mas há seguros que não entendem desta forma e, por isso, é preciso que o paciente busque recursos legais para conseguir acesso a esta medicação. É um direito do paciente ter acesso à medicação capaz de ajudá-lo potencialmente”, complementou.

Prevenção e detecção precoce

A questão da alimentação é reforçada como uma das mais importantes formas de prevenir o câncer de mama. Segundo o professor Buzaid, apesar de não haver estudos que comprovem a relação da alimentação com a incidência da doença, a recomendação de nutrição se fundamenta em estudos observacionais. “Claramente, a dieta ocidental é pró câncer de mama. A taxa de câncer de mama nos Estados Unidos é de uma em cada nove mulheres. No Japão, este número é minúsculo. A dieta considerada saudável é rica em frutas, verduras, não tem carne vermelha, é rica em peixe, frutos do mar, azeite de oliva, não tem doces e farináceos”, acrescentou.

Para o especialista, todos os cânceres, sem exceção, apresentam correlação entre o risco de morte e o quão avançado está. Quanto menor o câncer, maior a chance de cura. Segundo documento produzido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que o Brasil tenha 500 mil novos casos de câncer por ano, sendo 49.240 mil deles relacionados ao câncer de mama. Com hábitos de vida menos saudáveis, reforçando o depoimento do Dr. Antônio Buzaid, os estados que farão mais vítimas são Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

O Inca sugere que as mulheres façam mamografia a partir dos 50 anos. Mas especialistas indicam que ela seja feita a partir dos 35 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar.

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